INC levou a humanização para dentro da cozinha e tornou o cardápio um dos pontos fortes do hospital. Ao receber alta, pacientes pedem receitas preferidas

Mesmo sendo algo trivial, uma simples refeição pode oferecer um momento de conforto para quem passa por uma situação de fragilidade, como um paciente internado no hospital. A comida afetiva, também conhecida como comfort food, tem esse poder de agradar ao paladar, resgatar boas memórias e aquecer o coração. Empenhada em desenvolver todas as formas de humanização dentro do Hospital INC, Regina Montibeller, diretora administrativa da instituição, encontrou o caminho certo para aliar a qualidade nutricional ao carinho na gastronomia hospitalar.

Dá só uma olhada nessa receita especial

Um cuidado que se reflete no sabor, aroma e na apresentação das refeições, numa mensagem de otimismo que acompanha o prato ou no atendimento personalizado. O resultado é surpreendente. A comida do INC é tão gostosa e reconfortante, que se tornou comum os pacientes pedirem receitas no momento da alta hospitalar. Dentre as preferidas estão risoto de beterraba, fricassê de frango com milho, filé mignon suíno, peixe com farofa de castanhas e sopas. “Hospital tem fama de servir comida ruim, por isso, desde o início do INC, há 20 anos, fizemos diferente. Eu mesma trazia receitas e testava. Fomos aprimorando o cardápio para alinhar as prescrições dietéticas do médico e da nutricionista com refeições mais atrativas e gastronômicas”.

Há alguns anos, o INC fez uma consultoria com o chef Celso Freire para treinar a equipe a como diversificar as refeições e dar um toque especial no cardápio, introduzindo novos temperos e molhos. “Melhorar o sabor e qualidade da comida de hospital foi algo que eu sempre quis fazer. E no INC eu tive condições de tornar isso realidade, porque encontrei ali a Regina e uma diretoria comprometida com esse objetivo, uma nutricionista (Suellen Silva) que gosta de cozinhar e uma equipe engajada. Tudo que eu propunha, no dia seguinte estava sendo colocado em prática”, lembra o chef. “Ninguém vai ao hospital em busca de uma degustação. Agora fazer uma comida caprichada e contar com uma equipe que sente alegria em servir um prato saboroso e com boa apresentação, isso sim é fundamental”.

Regina Montibeller ressalta que para preparar uma boa comida não se gasta mais. “Você pode fazer uma canja ruim ou bem gostosa, usando os mesmos ingredientes. O tempero mais importante é o carinho que você coloca na hora de cozinhar”. Por isso, na hora de recrutar profissionais para a equipe, que conta com 31 funcionárias e atua 24 horas por dia, o INC seleciona pessoas que “gostam de cozinhar de verdade” e demonstram o cuidado com o outro. “Todo mundo sente quando uma comida é feita com carinho. O alimento pode ajudar na recuperação do paciente e serve como um remédio quando a pessoa está debilitada”.

Alimentação democrática

No INC são servidas 15 mil refeições, por mês. O almoço, por exemplo, é composto de prato principal, guarnições, legumes, três opções de saladas e sobremesa. O mesmo cardápio serve pacientes, acompanhantes e também médicos, enfermeiros, técnicos, pessoal do administrativo e RH, equipe da limpeza e a diretoria. Graças ao trabalho de humanização na gastronomia hospitalar, a cozinha consegue atender até mesmo pedidos específicos como comida kosher (dieta judaica ortodoxa).

Horta orgânica

Uma novidade que uniu as equipes da cozinha e da Hospitalidade foi a criação da horta orgânica, no final do ano passado. O espaço verde tem função terapêutica, ao possibilitar aos pacientes e funcionários a oportunidade de colocar as mãos na terra e pegar um sol na área externa, e também de fornecer hortaliças e temperos orgânicos para o preparo das refeições.