Hospital INC criou programa para orientar familiares e cuidadores de pacientes que
necessitam de continuidade do tratamento em casa

Para o paciente e seus familiares, a alta hospitalar é um momento de alegria e superação. Mas, algumas vezes, os cuidados não param na despedida do hospital. É preciso dar continuidade ao tratamento em casa, de tal modo que essa transição não cause danos ao paciente, principalmente, aos portadores de patologias que impossibilitam o autocuidado. É o caso de quem sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), cujas sequelas podem levar à dependência de auxílio ou de cuidados integrais de outra pessoa. Por isso, a alta hospitalar também pode provocar ansiedade em quem irá assumir o papel de cuidador – normalmente os filhos
e o cônjuge, com uma prevalência maior de mulheres. Ao observar esse cenário, o Hospital INC iniciou um trabalho para dar suporte mais qualificado aos familiares e
cuidadores de pacientes de longa permanência, que estão com previsão de alta. “De uma maneira descomplicada, tentamos deixar a família ou cuidador mais confiantes e otimistas para que possam continuar os cuidados terapêuticos no ambiente domiciliar, de maneira segura. As orientações são individualizadas, de acordo com as necessidades de cada paciente e do cuidador”, explica Fernanda Ricci, à frente do programa de alta hospitalar segura, batizado de INCasa.

SIMULAÇÃO

O trabalho propõe um treinamento realizado dentro da estrutura do hospital, sem custos para o paciente. “Uma equipe multidisciplinar identifica as orientações que devem ser repassadas às pessoas que irão assumir os cuidados no ambiente domiciliar, para receberem o treinamento no Centro de Simulação Realística, um laboratório com a ambientação de um quarto de hospital – para aplicação das aulas práticas com um boneco,” comenta Paola Barbosa, que é instrutora de treinamentos do INCasa. A instituição também elaborou um manual para esclarecer dúvidas e criou um canal no YouTube onde disponibiliza vídeos com os conteúdos dos treinamentos.

EM CASA

A estudante de Educação Física Juliana Nadalin de Oliveira foi uma das pessoas que receberam o treinamento do programa para cuidar do esposo, Matheus Henrique de Oliveira. Ele passou por uma neurocirurgia de descompressão bilateral e quando teve alta hospitalar voltou para casa e continuou com a reabilitação. “Foi tudo muito complexo e novo pra todos nós. Tivemos que nos adaptar muito rápido. A princípio, a alta me trouxe insegurança porque eu tinha medo de que, se algo acontecesse, nós não teríamos recursos suficientes para ajudá-lo”, lembra. Além de Juliana, a mãe e a sogra de Matheus também participaram do programa, tendo em vista que ele
precisaria de todos os cuidados, dos mais básicos aos mais complexos: limpeza de traqueostomia e gastrostomia, aspiração, tomar os medicamentos, seguir uma dieta e hidratação adequadas. “Estávamos perdidas nesse novo universo. O treinamento foi tão útil que hoje somos nós mesmas que trocamos o fixador de traqueostomia dele. É sempre bom termos um pouco de conhecimento, pois se acontecer algo nós estamos mais preparadas”, destaca Juliana.